Barrichello e a Ferrari

No final, cito Ayrton Senna. Convém ler…

Não adianta… Acredito que sempre será assim até o final da carreira de Rubens Barrichello. Lembranças do final de semana em que Barrichello abriu caminho para Schumacher passar e ser o vencedor de uma corrida. Quem não se lembra disso? Áustria, 2002.

Ora, foi realmente um marco no automobilismo, modificando regras da F1, como divulgação do rádio das equipes, proibindo o jogo de equipe descarado, como foi.

Nessa semana, Barrichello concedeu entrevista à Revista Playboy e adivinhem sobre o que foi questionado? Sobre o incidente com Schumacher e a Ferrari. (Scanearam a entrevista. Você pode ver aqui. Não há fotos, fiquem tranquilos).

“Fui até o final falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar. Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar.”

Bom, sobre o que a Ferrari falou no rádio eu não tenho a menor chance de opinar, mas algo eu tenho que dizer. Tenho que dizer, pois há alguns jornalistas que são determinados em tentar destruir a imagem de Barrichello. Dizem, veementemente, que Barrichello mente. Hoje, foi a vez de Fábio Seixas.

Barrichello, sem dúvidas, tem algum receio em contar toda a história. Disse, certa vez, que contaria, mas voltou atrás alegando que poderia prejudicar a carreira dos filhos. Sabe-se que a Ferrari manda bastante na FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Jean Todt trabalhava na Ferrari na época do incidente e hoje é presidente da FIA. Faz sentido ter receio.

Rubens, por sua vez, renovou contrato com a Ferrari em 2004, período posterior ao do caso (2002). Por que alguém renovaria com a equipe que o ameaçou? Ora, por que alguém continuaria numa empresa, sabendo que seu chefe usa e abusa de você? Salário?

Nem sempre a resposta é dinheiro. Acredito que Rubens via na Ferrari um sonho, uma possibilidade de vencer, coisa que não teria em outras equipes. Pelo menos não na BAR, que foi sua equipe após a Ferrari. Rubens, aliás, fez certo. Em 2004, a Ferrari fez um campeonato tão bom, mas tão bom, que Rubens, apesar de não ter sido campeão, fez pontos suficientes para ser campeão nos anos anteriores, e mais, tornou-se o segundo maior pontuador em um campeonato, na época.

Acho, sinceramente, que Rubens tem seus motivos. Pode ter sido medo, pode ter sido dinheiro, mas tem seus motivos. Aliás, se foi dinheiro, qual teria sido o grande problema? Abdicar de uma vitória no currículo para ganhar uma ‘bolada’ não me parece algo tão terrível quanto pintam por aí.

Acredito que devemos pensar o esporte como um lazer que utiliza de profissionais. O que para nós é lazer, para eles é profissão.

Aliás, convém falar que Ayrton Senna já abriu passagem para o companheiro de equipe ganhar corrida. Sim, o grande herói brasileiro também já ‘perdeu’ uma corrida para que um estrangeiro pudesse vencer. Japão, 1991.

André Ribeiro

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2 respostas em “Barrichello e a Ferrari

  1. É bom dizer que, algum tempo mais tarde, Ayrton confessou que fez a tal manobra a contragosto – forçado por ordens da equipe.
    Já campeoníssimo, não queria deixar o companheiro passar. Mas, como bom funcionário (ou alguém que tinha alguma perspectiva futura), pesou a situação e… obedeceu.

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